A História do BINA

A História do BINA

Salve salve pessoal…

Por acaso você conhece o famoso identificador de chamadas BINA? Sabia que ele foi criado por um brasileiro?

O sistema BINA, Binary Identificer Number Address, ou como é conhecido em português, “B Identifica o Número de A”, foi desenvolvido e criado pelo brasileiro Nélio José Nicolai ainda na década de 1970, onde basicamente o sistema criado, reconhecia o número de onde estava vindo a ligação, e mostrava ao usuário de quem era.

Propagando do BINA

Nicolai trabalhava na Telebrasília, que era uma operadora local da Telebrás, sendo que ele era formado em eletrotécnica. Por um período de tempo Nicolai pensava em como resolver um problema comum entre as brincadeiras de crianças, os trotes telefônicos.

A solução veio durante um sonho, sendo que ao acordar, ele adaptou uma calculadora, onde era mostrado o número que estava chamando e imprimia em uma bobina, esse era o primeiro protótipo de um reconhecedor de chamadas. Na época a Telebrasília não incentivou ele a fazer o protótipo, pois ela tinha receio que pudessem alegar invasão de privacidade.

Telebrás

Mesmo assim, em 1980, Nicolai registra a patente e 2 anos depois, começa a ser utilizado. Na ocasião Nicolai, ofereceu para alguns bombeiros, no sentido de fazerem uma experiência para evitarem trotes, foram instalados 4 aparelhos que foram produzidos pela sua empresa, a Sonintel. Nessa época o aparelho era um pouco maior e mais baixo que uma caixa de sapatos, com cerca de 600 gramas, e era conectado a um telefone, a partir de então o aparelho começou cada vez mais ser conhecido, até cair na impressão, onde ele decolou de vez.

Em 1984, a Bell Canada enviou representantes para o Brasil, a fim de fazer uma parceria com a Telebrasília, claro, de olho no BINA. Nesse mesmo ano Nicolai foi demitido da Telebrasília, onde ele havia ajudado na montagem do protótipo. Até onde ele soube, a colaboração entre a Telebrasília e Bell Canada não havia ido para frente, mas dois anos depois, a Bell anunciou o desenvolvimento de um identificador de chamadas, lançado em 1988, e Nicolai não recebeu nenhum crédito por isso.

Bell Canadá

Com o avanço da tecnologia, Nicolai inventou uma nova versão do dispositivo para as centrais telefônicas que haviam se modernizado, essa patente foi solicitada em meados de 1992, e aprovada em meados de 1997, sendo que nesse ano ele assinou contratos de licença com a sueca Ericsson pra comercializar o BINA no Brasil, mas quando ele transferiu a tecnologia e foi nas telefônicas cobrar o pagamento dos royalties, segundo as palavras dele, disseram: “Avisaram que não me pagariam. Me mandavam ir à Justiça e, quem sabe, meus bisnetos veriam alguma coisa”.

Além do BINA, Nicolai inventou vários outros dispositivos e sistemas, sendo outros de destaque como o Salto, que é um recurso de sinalização sonora que indica quando a pessoa está em outra ligação, o de Mensagens de Instituições Financeiras para Celular, que permite controlar operações bancárias pelo aparelho celular, e BINA-Lo, que é o serviço de identificação de chamadas não atendidas.

Nicolai usando telefone

As invenções de Nicolai são usadas até hoje em todo o planeta, e como são patenteadas, em teoria seu uso precisa ser remunerado, seja por royalty ou transferência de tecnologia, ou até mesmo uma negociação.

Apesar de não ter essa remuneração, ele foi premiado com um Certificado da Invenções Brasileiras e uma Medalha de Ouro do World Intellectual Property Organization – WIPO, e mesmo premiado não conseguiu os royalties. Em 1998, o escritório federal americano U.S. Patent and Trademark Office, foi surpreendido com a informação de que o BINA e o Salto foram inventados por Nicolai, e ainda disseram que se ele fosse norte americano, teria se tornado uma celebridade e bilionário.

Nélio José Nicolai

Mas segundo alguns estudiosos, o primeiro identificador de chamadas foi inventado na Grécia por George Paraskevakos, em 1968, onde a solução consistia em um aparelho que identificava o número chamador, codificava e enviava através da linha telefônica. Em 1976, o japonês Kazuo Hashimoto, construiu o primeiro protótipo de uma tela com identificador de chamados. E aqui no Brasil há uma patente no nome de João da Cunha Doya e Carlam Bezerra Salles de um identificador de chamadas, com o apelido de “Pega trote”.

Nicolai começou a brigar na justiça por seus direitos, mas após anos e anos, até agora não saiu algum resultado favorável à sua família (apesar de provar oficialmente após 20 anos que a invenção do BINA é patente exclusivamente sua), sendo que ele teve que vender apartamentos e acumular várias dividas para enfrentar as empresas no tribunal. Em 11 de Outubro de 2017, infelizmente ele faleceu em decorrência de complicações pulmonares resultantes de um acidente vascular cerebral.

O que nos resta é torcermos para que a Justiça seja feita, e o que for de direito entre as partes seja esclarecido.

Referências:
revistagalileu.globo.com
tecmundo.com.br
canaltech.com
alfaria.blogspot.com.br

Bom pessoal, por hoje é só.
Abraços e até a próxima.

About Dan_Atilio

Analista e desenvolvedor de sistemas. Técnico em Informática pelo CTI da Unesp. Graduado em Banco de Dados pela Fatec Bauru. Entusiasta de soluções Open Source e blogueiro nas horas vagas. Autor do projeto Terminal de Informação, onde são postados tutoriais e notícias envolvendo o mundo da tecnologia.

2 comentários em “A História do BINA

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