Entrevista – Emerson Batista (Consultor Sênior e Desenvolvedor TOTVS)

Hoje a entrevista é com um dos programadores mais experientes no mundo AdvPL, Emerson Batista, confira.

Assim que eu entrei na TOTVS Bauru, eu conheci o Emerson Batista, um dos primeiros projetos que eu trabalhei foi com ele como coordenador, e eu sempre tive admiração pela forma como ele programava (parecia alguém tocando piano, era algo mágico rs).

Uma vez ele estava me contando histórias de como era programar para o ERP Protheus no começo dos anos 2000, e como o IDE foi evoluindo com o tempo.

Curta a entrevista de hoje, com esse lendário programador, o Emerson Batista.


Daniel: Olá Emerson, muito obrigado por ter aceitado o convite aqui no Terminal de Informação. É uma honra conversar contigo. Você poderia nos contar um pouco, como surgiu seu interesse por programação, e como entrou na área?

Emerson: Primeiramente muito obrigado pela lembrança! Bom, minha vida na programação começou por xeretice, como se diz em Dois Córregos. Nos idos de 1987, eu era office-boy em um escritório de contabilidade. Eles adquiriram um PC XT que rodava MS-DOS e custou uma pequena fortuna à época.  Maravilhado, me ofereci para ajudar na digitação de contabilidade num sistema adquirido feito em Cobol.

Assim, durante os dias eu era office-boy, e depois que eu voltava do colégio, às 22h00, eu ficava até de madrugada me deliciando com aquela máquina só para mim. Com o tempo, fui transferido para o CPD em definitivo e trabalhava somente durante o dia.

Nesta época, achei lá na prateleira um livro de dBase III e comecei a desenvolver. Na verdade, eu não era autorizado a usar o dBase, então eu escrevia os fontes nas folhas do meu caderno da escola. Porém, eu nem sempre seguia as regras e acabava executando o dBase no PC XT.

Como a necessidade e a oportunidade andam de mãos dadas, meu primeiro sistema foi para automatizar as rotinas do escritório, como apontamento de Ordens de Serviço dos contabilistas e faturamento dos serviços prestados aos clientes. Porém, a primeira versão do meu sistema foi perdida; nesta ocasião fui apresentado a amigo chamado backup. Enfim, tive que reescrever tudo e para dar um salto na coisa decidi tentar transportar o código para Clipper, compilando a coisa toda no recém-lançado Clipper Summer 87.

Daniel: E quanto a TOTVS Bauru, como ela entrou na sua vida?

Emerson: Em 1999, eu estava na área de desenvolvimento de uma empresa de Dois Córregos. Tendo já dois amigos que trabalhavam em Bauru na Microsiga (hoje TOTVS) fui indicado e convidado pelo Wilson. Tínhamos já tudo acertado para eu iniciar naquele ano. Porém, não deu certo naquele momento. Acabei vindo no ano seguinte, em 2000. Eu ainda estava cursando Análise de Sistemas na USC. Desde então, passei já por quase todas as áreas da empresa.

Emerson e o pessoal da TOTVS Bauru em uma visita a TOTVS Matriz

Daniel: Hoje existe a extensão da TOTVS para o VSCode (que é uma excelente ferramenta), mas como era programar no começo dos anos 2000?

Emerson: Sou usuário entusiasmado da extensão para VSCode. Melhorou muito mesmo! Na época, era tudo feito em notepad do Windows ou algum editor similar. Eu usei muito também o NG para editar os programas (chamados RdMakes). Quando entrei, a versão era o Siga Advanced 4.06, desenvolvido em FiveWin. Cada módulo tinha seu executável. Eram SIGAFAT.EXE, SIGAFIN.EXE, etc.

Assim, como o Clipper, o Fivewin permitia inserir código para ser interpretado. Havia limite de 64k em cada arquivo e não era possível usar funções dentro de um mesmo programa. Quando era compilado, era gerado um arquivo-objeto e isso ficava disponível para execução. O processo permitia colocar individualmente os fontes ‘a quente’ no ambiente. Não tinha que ser acesso exclusivo. Se desse bug, era remover o arquivo e pronto. Fora isso, a base de clientes rodava quase que toda em ADS (era um driver para usar arquivos DBF sem corromper os índices). Ou seja, nada de comandos SQL, dera do/while para todo lado

Daniel: E como você enxerga o mundo da programação atualmente, no ambiente Protheus?

Emerson: Vivemos um momento de muitas possibilidades surgindo. Para o médio e longo prazo, enxergo o advpl/tlpp migrando mais para o backend nos sistemas da TOTVS. Isso abre espaço para desenvolvimento em novas linguagens sua camada de frontend. A própria TOTVS tem sua iniciativa neste sentido, desenvolvendo sua framework (po.ui) em cima de Angular. Inclusive algumas telas novas já estão sendo desenvolvidas nesta nova interface, em que o server do Protheus serve via REST as informações para a interface feita em po.ui.

Emerson se apresentando na festa de 20 anos da TOTVS Bauru

Daniel: Dos projetos que você já participou, qual deles que foi mais desafiador? Por qual motivo?

Emerson: Acredito que em maior ou menor grau cada projeto é desafiador. Cada um deixa lições e, de certa forma, um trauma. Você aprende depois que levou a porrada. Se tivesse que escolher, talvez o primeiro projeto grande do qual participei tenha sido o mais desafiador. Foi em 2000. Fizemos a virada do sistema na marra, sem todos os testes validados, por imposição da direção do cliente. Não foi surpresa o tanto de empenho que tivemos que ter para estabilizar o ambiente. Eu cheguei a ficar 3 dias sem dormir para dar conta. Sobre este projeto ainda muitas histórias surgem nas rodas de amigos.

Daniel: Além do mundo Protheus, você tem algum hobby sem ser programação?

Emerson: Sim, precisamos de algo que nos reequilibre. Eu mantenho meu blog ( http://despoema.blogspot.com/ )  com poemas e crônicas e mantenho meu twitter ( @emebatista ) onde publico algumas frases. Além disso, quando posso vou aos karaokês da vida. Sempre gostei de cantar e também funciona como válvula de escape.

Emerson em uma foto com o pessoal do Projeto Alegria

Daniel: Emerson, muito obrigado pela entrevista, foi uma honra recebê-lo aqui, tem alguma mensagem que gostaria de deixar para nossos leitores?

Emerson: Eu que agradeço o convite. Foi uma honra mesmo! Deixo a mensagem de persistência e resiliência para os que desejam seguir neste caminho maravilhoso da programação. Neste caminho experimentamos o sentimento de que tudo é possível. E realmente é, tudo o que podemos imaginar, é possível na programação. Se ainda não é, espere que a Matrix ainda pode chegar.


Bom pessoal, por hoje é só.

Abraços e até a próxima.

Dan Atilio (Daniel Atilio)
Especialista em Engenharia de Software pela FIB. Entusiasta de soluções Open Source. E blogueiro nas horas vagas.

10 Responses

  1. Guilherme Camilo disse:

    Grande queridão, esse cara é realmente uma lenda, aprendi muito com ele. Parabéns senhores.

  2. Mozart disse:

    Parabéns Daniel pela iniciativa das entrevistas. Está sendo muito interessante conhecer histórias como a do Emerson que é uma lenda viva na programação, na música e em tudo que se dedica. Parabéns também ao Emerson pela entrevista.

  3. Fábio disse:

    Muito legal Atílio, poder de certa forma matar um pouco de saudades de vcs!!! Grande abraço

  4. Luis Felipe Oliveira disse:

    As entrevistas sempre são motivadoras! Parabéns pelo trabalho, Atílio! Sucesso!

  5. Heitor Martins disse:

    Muita legal a entrevista! O Terminal continua excelente! Abraços, pessoal!

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