Entrevista – Alison Kaique (Analista de Sistemas Sênior na TOTVS)

A entrevista de hoje, é com um grande amigo das antigas, o Alison Kaique.

Assim quando entrei na TOTVS Bauru, em meados de 2011, o Alison foi o primeiro amigo que fiz, ele que me ensinou a como instalar o Protheus, o Datasul, o RM e que me ajudou nos primeiros passos em AdvPL (lembro até hoje de quando ele me ajudou com uma tela modelo 3 em que eu estava em apuros – risos).

Ainda fizemos faculdade de Banco de Dados juntos, e atendemos diversos projetos. Além disso, ele foi um dos idealizadores junto comigo, do fórum AdvPLers no Discord.

Depois de uma estadia na TOTVS Rússia, o Alison está envolvido em novos projetos com PO-UI na TOTVS Matriz. Então sem mais delongas, abaixo nosso bate-papo.


Daniel: Olá Alison, seja bem-vindo, e obrigado por ter aceitado o convite. Poderia nos contar um pouco sobre sua história?

Alison: Olá Daniel, o prazer é todo meu. Anos e mais anos de amizade que se iniciou em 2011, não poderia me sentir mais lisonjeado com essa entrevista.

Mas vamos lá, sou paranaense da famosa Ribeirão do Pinhal, nascido em um belo domingo no dia 11/10/1992.

A infância foi como de qualquer garoto do interior, com idas para a escola e tomando tubaína na sacolinha (os mais antigos vão se lembrar hahaahha).

Já morei em vários lugares, vou tentar lembrar aqui na ordem: Ribeirão do Pinhal, Campinas, Piracicaba, Sorocaba, Bauru, São Paulo e Moscou.

Atualmente moro em São Paulo capital.

Daniel: E como entrou na TOTVS Bauru? Como foi o primeiro contato com a linguagem AdvPL?

Alison: Minha história com a TOTVS Bauru se inicia em 2010, porém antes disso tiveram alguns passos que foram cruciais para que eu pudesse iniciar minha trajetória na saudosa TOTVS Bauru.

Vou resumir aqui para que a leitura não fique tão cansativa. Como sempre acreditei na educação como meio de crescimento e saída para a situação social e financeira em que me encontrava, minha história começa como uma criança que sempre acreditou que poderia viver muito mais do que os olhos viam naquela época.

Como havia dito, nasci no interior do Paraná, porém fui fixar moradia em Bauru quando tinha 7 anos e ali vivi até meus 25 anos.

Sempre estudei em escola pública e cursava o Ensino Médio na Escola Estadual Francisco Antunes e estava na oitava série (um ano antes do ensino médio), sendo um ótimo aluno fui convidado para a Semana de Ciências do Colégio Técnico Industrial (CTI) que aconteceria no sábado seguinte ao convite.

Não fazia a mínima ideia do que era CTI e perguntei a uma colega de sala o que era e tive a seguinte resposta: é um colégio técnico e profissionalizante que possui um Vestibulinho e só passa quem faz cursinho preparatório. Confesso que ali já fiquei amedrontado e ao mesmo tempo curioso.

Chegou o tal sábado e fomos em uma turma visitar a famosa Semana de Ciências do CTI, chegando lá logo cedo fui apresentado a um simulado do Vestibulinho do ano anterior. Nele havia 10 questões e o melhor do dia ganharia uma inscrição para o Vestibulinho daquele ano, no caso 2007, e consegui acertar oito das dez questões. Deixei como contato o número de celular de um tio.

Quando foi segunda-feira, decidi faltar da escola e do nada recebo uma ligação de que fui o melhor do dia e ganhei a inscrição para o tal Vestibulinho. Fiquei tão feliz que não sabia o que fazer e fui logo correr atrás dos próximos passos.

Foi então que conversei com a mesma amiga do cursinho preparatório e pedi emprestado a apostila que ela tinha e fiquei focado em estudar o quanto pudesse até a prova.

Eis que chega o grande dia e fiz a prova, porém meu resultado não foi o suficiente e fiquei na lista de espera. Mas graças a Deus consegui entrar no CTI e cursei o Ensino Médio com o Técnico em Informática de 2008 a 2010.

Eis que em 2010 eu havia passado no concurso público para ser estagiário na Prefeitura Municipal de Bauru e estava atuando todo animado, porém em abril daquele ano houve uma palestra de um ex-aluno do CTI que era consultor de implantação na TOTVS Bauru. Ali foi-me apresentada a TOTVS.

Como parceria entre o CTI e TOTVS, alguns clientes começaram a recrutar estagiários para aprender sistemas. Eis que participei de um desses processos e entrei na Patral Peças em abril de 2010, o gestor era o Emerson Kurozawa que me ajudou sempre.

Foto do Alison quando era criança

Foi ali meu primeiro contato com a linguagem AdvPL, iniciando com rotinas simples e pequenos relatórios.

Fiz o estágio ali de abril até setembro, e nos meus últimos meses fui instruído a aprender cada vez mais sobre Protheus. Tudo isso havia um motivo, pois infelizmente o Emerson precisaria me desligar do estágio e havia me preparado e me indicado para uma entrevista na TOTVS Bauru.

Passei na entrevista e iniciei na TOTVS Bauru em novembro de 2010 e finalizei meu ciclo em novembro de 2015. Uma bela história de muita gratidão, aprendizado, amizades e formação de ser humano.

Daniel: Entre a jornada da TOTVS Bauru, até chegar na TOTVS Matriz, como foi a caminhada?

Alison: Como havia dito, finalizei meu ciclo na TOTVS Bauru em 2015 e iniciei em um cliente como analista de sistemas Protheus. Ali fazia tanto manutenção do sistema quanto customização de todos os processos pertinentes.

Desde que iniciei na TOTVS Bauru eu alimentava um sonho de trabalhar na TOTVS Matriz, tanto que já havia feito visitas na antiga sede e fiquei vislumbrado. Queria fazer parte daquilo.

Foi então que em 2016 recebi uma proposta de me mudar para São Paulo e iniciar em uma consultoria na capital, abracei a oportunidade e fiquei até 2018 trabalhando nessa consultoria. Foi ali o início de um novo mundo se abrindo para mim, uma nova cidade, novos desafios e como sempre muito crescimento.

Havia chegado a minha hora de ir trabalhar na TOTVS Matriz, mas não ainda como um funcionário e sim como um TOTVS Partner (prestador de serviços alocado na Matriz por uma consultoria parceira e homologada). Participei de projetos gigantes e conheci a cultura da TOTVS Matriz.

Eis que no meio do ano de 2018, alguns analistas regressaram da TOTVS Rússia e contavam como era o país, a cultura e o projeto que lá estava sendo executado. Fiquei muito curioso e comecei a entrar em contato para poder atuar nesse projeto.

No final de 2018, após um longo processo seletivo, fui aprovado para o projeto TOTVS Rússia ao qual iria ingressar no início de 2019.

Foto de um almoço no shopping em Bauru

Daniel: Agora, uma pergunta do internauta Súlivan Simões: “Você teve a oportunidade de trabalhar na TOTVS Rússia. Qual foi sua experiência com o time Protheus de lá, em relação a suporte e desenvolvimento de novas tecnologias? E quais pontos fortes de lá que você acha que aqui no Brasil deveriam adotar?”

O meu contato inicial com eles foi via reuniões online, pois ingressei no projeto em janeiro e somente em fevereiro viajei até Moscou. O primeiro contato foi impactante, um novo jeito de trabalhar e adaptar o Protheus para as regras de negócio da Rússia.

O projeto nasceu da junção de uma empresa russa com a TOTVS no Brasil, com isso iniciou-se uma adaptação para que o Protheus fosse adequado ao contexto da Rússia. Nisso foram adaptações em telas, linguagem, protocolos, regras, nomenclaturas, etc.

O time russo era bem completo, havia gestores, líderes, equipe de desenvolvimento, equipe de framework, consultores de negócios. O primeiro passo era entender o que os russos necessitavam de um sistema, analisar se o Protheus já tinha aquilo ou se seria necessário adaptar ou criar do zero.

Uma curiosidade é que a homologação do Banco de Dados PostgreSQL deu-se na Rússia, pois naquele momento o uso de outros bancos de dados não era permitido. O que me surpreendeu foi que isso trouxe muita inovação e ousadia e abriu portas para outras tecnologias. Levo isso como aprendizado.

Daniel: Aproveitando sobre o assunto da TOTVS Rússia, sei que deve ter sentido falta da família, mas nos conte se teve algum episódio ou alguma história inusitada por lá.

Alison: A troca cultural que tive foi incrível e agregou demais em minha vida, porém nem tudo são flores nessa vida e passei algumas situações difíceis por lá.

A primeira barreira é a língua russa, que é muito difícil e o povo lá não gosta muito de falar inglês. Ou seja, muitas vezes era na base do gesto com as mãos e apontar para as coisas.

Uma curiosidade é que não é comum dividir a conta, ou seja, somente uma pessoa paga caso passe o cartão. É comum aqui no Brasil vermos na conta do restaurante uma opção “dividido por tantas pessoas fica tanto pra cada um”, isso não existe lá e era uma briga os restaurantes quererem dividir. Cada jantar era uma aventura.

Outro episódio foi que eu costumava ir em uma loja de eletrônicos, bem parecida com Fast Shop que temos aqui, e vi um jogo de videogame com um preço promocional. Gostei do preço e quando fui passar no caixa saiu outro preço para a atendente e me negaram a vender pelo preço da etiqueta, após várias argumentações cederam e me venderam pelo preço promocional.

O que mais senti falta foi da comida brasileira, que é de outro nível e bem mais saborosa que a comida russa. O strogonoff deles é horrível! O nosso abrasileirado é bem melhor. Porém há muitas sopas, massas e carnes boas por lá. É só saber escolher.

Daniel: Atualmente você vem trabalhando com PO-UI, como foi ingressar na equipe? E quais foram os principais desafios encontrados?

Alison: Assim que voltei da Rússia em Julho de 2019, ingressei na equipe de Pilotos das Inovações do BackOffice Protheus e ali fiquei até janeiro de 2020.

Acontece que a TOTVS havia criado o framework PO-UI, antigo TOTVS HTML Framework, e com seu uso massivo nas inovações buscava pessoas para ingressar em um novo time de inovação com essa tecnologia. Foi proposto então um desafio de cursos e um sistema completo e quem passasse iria ingressar nessa equipe e eu fui um deles.

Os desafios que encontrei foram o pouco tempo para estudar tanta coisa e a quebra de paradigma entre sair do AdvPL e entrar em Angular com PO-UI. Porém garanto a todos que é a evolução em termos de TOTVS e o novo “perfil” de analista Protheus cobrará tais conhecimentos.

Vou deixar abaixo um link com a lista de cursos que fiz para ingressar nessa equipe:

https://tdn.totvs.com/pages/releaseview.action?pageId=520125287

Alison na Rússia

Daniel: Alison, muito obrigado pelo seu tempo, que Deus o abençoe grandemente na sua jornada, e se quiser deixar um recado para nossos leitores, fique à vontade.

Alison: Eu quem agradeço Daniel, você é um dos amigos que o mundo TOTVS me deu e tenho orgulho de ter te conhecido.

Gostaria de deixar um aprendizado a todos para nunca desistirem daquilo que acredita, ter sempre fé em Deus e persistir.

Se algo está difícil, porém faz sentido ao seu coração, siga em frente mesmo que não tenha mais forças porque a recompensa chega pra quem trabalha duro.

Algo que aprendi com toda essa trajetória é que por mais que você viva tudo isso, família é o que importa no final. Seja o melhor para a família que você tem, seja ela a que Deus te deu ou a que você acolheu em seu coração.

No mais é isso e muito sucesso a todos. Se quiserem, entrem em contato comigo pelo LinkedIn:

https://www.linkedin.com/in/alisonkaique/


E você, o que achou da entrevista? Deixe nos comentários.

Bom pessoal, por hoje é só.

Abraços e até a próxima.

Dan Atilio (Daniel Atilio)
Especialista em Engenharia de Software pela FIB. Entusiasta de soluções Open Source. E blogueiro nas horas vagas.

5 Responses

  1. Mozart disse:

    Meus amigos, Daniel e Alison. É bom ler essas histórias e saber que já pude conviver com vocês, pessoas que estão se destacando no mundo da tecnologia e no mundo TOTVS.
    Fico feliz de ver uma galera que trabalhou juntos na DM se jogando no mundo e batendo asas até bem longe. Acredito que vocês devem se orgulhar do que estão fazendo, parabéns!!
    Gostaria de ver essas entrevistas gravadas em vídeo aqui no TI.
    Abraço.
    Mozart.

  2. rafa_achoa disse:

    Esse cara… É O CARA!
    Que emocionante a trajetória do Alisera e de me lembrar do que passamos juntos no Aperta o X (podiam ter falado né?! hahaha). Foram vários momentos de muitas risadas e parcerias. Um conhecimento agregado em diversas formas como ADVPL, Games, Histórias de vida.
    Fico feliz em ter conhecido ambos monstros do ADVPL e de saber toda a caminhada que eu desconhecia do nosso querido “pistolinha” haha.
    Saudades de vocês meus queridos!

  3. llrafaell disse:

    Grande Alison, tive o prazer de viajar com ele para o projeto da Rússia e aprender um pouco de Advpl com ele!!

    Forte abraço meu amigo

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